segredos de liquidificador.

tenho sofrido do que chamam vida. e para cada dor, um suspiro a menos. brinco de vida sem sequer saber soletrar ar puro. e brinco como quem sorri aos dentes. não temo o que me deves, a morte e a vida num só tamanho. sou tantas que morro apenas em domingos quentes. e é de calor que transpiro o que me queima quieto. é sofrimento unilateral que cala o que sente. não canta nunca.
amo tanto que explodo sempre em nostalgia do que não foi. é. e numa vida inteira, me recorto em papelotes mil. não sou inteira. sempre uma meia verdade. eu apenas sou. crise das mais banais. sou meu próprio diabo.

e tenho sempre dito o que na vida encontro por aí. sou baú do que é belo. e ao peito, guardo o vermelho em punhado de vidro, um espiral inteiro, teus olhos, o meu ventre e todo o mundo em lá menor.


ah! se pudesse num único poema dizer o mundo que sei..segredos dos mais diversos num peito de dois corações.

Eterno Retorno

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores , e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“




[Das tuas repetições, a minha não falha parar]

das minhas repetições, sangro em tuas histórias.


e é tão minha que da tua tinta faço poesia-vida. e não canso na rima que me força a rodopiar doida.
é por aí que vou solta. com pés de bailarina que não calam o retorno eterno de mim mesma.

e quando me faço fim, é só mais um começo que retoma o ventre.
e assim coleciono minhas mortes e todas elas.

num filme noir de rugas e salto em que o céu nasce torto e o destino ri à toa.


ah.. minha vida de vidro em espiral atômico.

meu nódulo esquerdo

É esse cheiro que vicia.
É no estômago que prende o ar.

Contágio em grau zero.

É neste cheiro que me vejo.
E no teu sorriso que reflete o que se come
na madrugada de um dia inteiro.

Felicidade gratuita que desafina.

E é no teu gelo que me dissolvo toda.
Na tua ponte me vejo pra sempre.
E é sonho em notinhas de Natal.

Os teus segredos,
minha vida inteira.

retoques

o que quebra se perde
e distante
reflete o que morre
e desmorre.

drama, drama, drama.

meu mundo caiu.
desabou sobre o drama do laranja em saltinho de cristal. nada vermelho. unha em toque de ira destilada em água suja. desabou sobre a falta do que segura, derruba.
e desabou mais embaixo. dia que não acaba nunca, só começa.

Teu Nome

Teu frio na pele fresca reluz o que não é teu. Pernas que suspiram tua liberdade frouxa de guerras vencidas. Te matei na pobreza dos teus olhos que viveram renegados de amor.
É próprio o que te faz Ontem.

Dona Traição

Bela. Belísssima. Era ela, minha Dona. E de longe, sempre tímida que só ela. Era dada entre as saias. Lábios que se quebram em força bruta.
Teu sorriso tinha curvas. E era assim o teu engano. Chama em brasa quente. O teu cigarro latente em xícara de porcelana. Sempre afiada, a tua era a palavra. Era desejo.
Tua carne saltava os olhos e tua fumaça sequer dava paz. Rodopiava louca até mim.
Até mim, que errei o caminho do coração e tomei a rua errada pra te perder.
E ela, sempre ali,não desistia do que era noite em mim. E na graça do meu semáforo, parti no verde enquanto o teu cigarro queimava ardente aos dentes.
[hoje tenho GPS. não erro mais a avenida principal]

buquê

tuas rosas em mim
tuas mãos
meu jardim.

trem para paris

ah! tuas meias verdades
quase inteiras
de juras reclusas.

amor que morre ao fio das onze
e retoma a sinfonia às doze.

sempre na tua ordem morta.

e num verso transmorfo, eu grito quieta: cravem a esferográfica vermelha ao peito de quem morre sempre sem querer.

sincrointensidades e o amour

Se morre aos dias lentos. E de mãos, perdemos o ritmo. É de amor que morro. E morro sempre de madrugada. É por você e mais um universo deles. Morro dos pés a cabeça. Mas não morro o coração que é meu. Este, por último, viverá até teus olhos deixarem de brilhar por mim.

tônicas maiores

e é de barro
visto que chove meu coração.
e seca no peito
todo o amor.

sorriso de girassol

é das tuas notas que falta canção. piano em dor maior e mais um mundo de outras canções. e é dessa falta que reparo o coração. não é de titã. se faz amor e molha do meu sorriso. é de verdade e sangra quando cai. levanto na esperança de.

estrada das lágrimas

i hope.

when you walked out that door

it's like i froze
i got so tired of needing you
and hating myself, hating myself

i hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go

i finally put up those blinds
you know i took my time
i felt like dying there
so you'd have to say goodbye.

Let go.

O Gato Dentro de Mim

à Ruski

dos que mais amo, tuas patas ao peito. fiéis a todo sempre e de amor eu me recolho numa bola branca de pêlo.

são sussuros quietos de quem apronta a noite toda e retoma o colo amado num apelo de carência sem(-)igual.


hoje, no céu dos felinos...



subtração do que oprime a dúvida de quem não arranha mais.


Vermelho, caldeirão da manhã.

Numa canção das muitas que te levo a crer, desenho um velho coração. Teu sangue é seco e não transborda a emoção. É golpe tímido em estado de graça.
Te levo a crer no impossível e grito o tempo livre da solidão. O pecado em tua aorta e o destino na taquicardia que tarda no final do dia.

minguante

Que cheiro é esse que vem e distante parte fora? É brisa dos tempos, o passado em seu lugar. Caixa confusa, sede de quem tem fome. É a hora que se perde. E de longe olha. Tarde. Sentimentos que preenchem o buraco do lado esquerdo. Coração que pulsa e não para nunca. Estoura e retoma a dor. É fato latente. Fálico discurso. Tua farsa na minha contramão. É o que passa, fica e desvira o pensamento louco. É o que chamo meu. E dentro de mim, escorre sempre. De mim.. em mim.. pra mim.
you got to know
i'm always in the way
upside down to you
open to all
these tangled knots of living
finally caught me too
don't leave me alone
standing here for ever
hoping you how ever
i'm a little girl
boiled into a mature
little piece of work
so if you see me
just smile
so if you see me
just try
on and on
[elsiane]

ausência muda

tua falta causa peso
e dói por falta do que sorri em pensamento.

tua cama,
minhas pernas

e teu sossego.

a vida num fio

Minha cabeça às vezes me derruba. É da queda que gosto mais e mesmo assim não caio nunca. Rejeito o trampolim de fora como quem contempla o poço de quem morre. Contento-me com o cheiro molhado e as perninhas de fora.
Pulo em terceira pessoa e afago o que se diz primeira.

teu cheiro é.

Como Um Samba De Adeus

Teu revólver é mira. Tiro que desfarça. Tua boca, veneno que me golpeia e em silêncio amarga o beijo. Tuas mãos no gatilho e meu peito. Buraco certeiro no coração de quem dança. Tua valsa é doce. Melodia em perfidia tola. Teus olhos na minha queda querem mais. Pedem sangue. Rasga o verbo. Te dou um grito e lanço-me no chão. É asfalto quente em sol do meio-dia. É ferida que arde em manhã azul e se fecha aos sábados. É tormento.

O meu gosto é ácido puro. Em meu sangue, o meu segredo. Morro em teu enredo. Morro hoje e a cada instante.

Não me canso nunca.
Não me queixo na reticência da tua bala. Bandida.

Abro os braços e (mais uma vez)

faleço em mim.

Hey We All Die Sometimes

Batalha dos Cravos

Um cravo que seja espelho
vermelho
que seja doce
um beijo
.
.
do que foi noite
e brotou em terra úmida.

11/09

suspiro carregado
daqueles que rasga o peito.
...

mar e lua

Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepio
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Rolando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar

[Chico B.]

meretrice

nó que apronta
e desmonta.

nó de marinheiro.
bem longe de ser frouxo.

nó na garganta
e de mansinho
no estômago.

é teu o meu nó
de laço e tudo.

cetim puro
num mergulho de vermelho aniz.

é nó,
e disso me basta o próximo gole.

a conta, por favor.

toda relíquia do mundo

[...] é muito claro
amor
bateu
para ficar.
ACC
aos passos do que completa
tenho contigo 7 chaves ao peito.
é amor doce
todo blue
em chuva e pingos nos is.
numa canção do que te guia
sou lira em meu coração.
golpeia longe
num pulsar incessante
que vai de mim a você.
[te amo vc e é pra todo sempre]

carnaval

é do teu amor que bordo a maquiagem
e borro ao doce do vermelho

da unha
cravo flores
.

e sigo cantarolando o que fica
não foge nunca.

amor de vidro em jarra d'água.

I wanna do bad things with you.

amantes das horas perdidas

Trajes sociais que oprimem a realidade.
É do que me alimenta ao sol que mais odeio.
Te vejo aos cantos,
numa repetição amarga de teus erros,
Te vejo distante e de volta tu me tens
o que sorri aos dentes.
Amantes do que morre
ao suicídio que me anuncia em pulsos perdidos.
Sangro e não me deito à grama.
Refluxos do que condena,
não ama nunca.
[te vejo pra sempre]

Protuberância de Ana

Este sorriso que muitos chamam de boca
É antes um chafariz, uma coisa louca
Sou amativa antes de tudo
Embora o mundo me condene
Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro)
Se nos determos amanhã
Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando
Quem me emprestar seu peito ma madrugada
E me consolar, talvez tal vez me ensine um assobio
Não sei se me querem, escondo-me sem impasses
E repitamos a amadora sou
Armadora decerto atrás das portas
Não abro para ninguém, e se a pena é lépida, nada me detém
É sem dúvida inútil o chuvisco de meus olhos
O círculo se abre em circunferências concêntricas que se
Fecham sobre si mesmas
No ano 2001 terei (2001-1952=) 49 anos e serei uma rainha
Rainha de quem, quê, não importa
E se eu morrer antes disso
Não verei a lua mais de perto
Talvez me irrite pisar no impisável
E a morte deve ser muito mais gostosa
Recheada com marchemélou
Uma lâmpada queimada me contempla
Eu dentro do templo chuto o tempo

Um palavra me delineia

VORAZ


E em breve a sombra se dilui,
Se perde o anjo.

[ACC]

[learning more and more about less and less and less]

can you memorize the scenes
they'll be different next week.

Olhei tranquila pela janela do meu jardim e nada vi.

amor tomou conta de casa.

é de amor que vivo mais. do teu fogo azul em lamparina vermelha. tuas meias na sala, o meu corpo no quarto, tuas mãos na varanda e nossas bocas molhadas. é de ti que me detenho no que amo; faísca do meu sono em travesseiro bandido.
tuas pegadas macias, a voz fraquinha e o amor a tiracolo me fez assim,
de sorrisos à ruga.
do olho ao canto da boca.
um amor de vida inteira numa fantasia de pierrot.

[dismenorreia]

o vermelho em sua maestria morta.

[substâncias simpatomiméticas]

delírios submersos
evito o carboidrato dos dentes, mas isso não é tudo. resolvo-me nas tarjinhas pretas que escalonam o que na cabeça dói e rasga o peito.
meu pensamento é de titânio
..e o que aqui bloqueia
é evidência nata de uma literatura inútil que [me] afugenta.

dislexia ambulante

teu alterego tem amor de caça. e é feroz como teus olhos que mentem serenos.
hipérboles to teu azul, xuxu.
e teu azul é o que mais amo em mim.

Carta ao pai

Há dias que penso nele. Penso com carinho. É da barriga que mais sinto falta. Há tempos procuro a palavra e me toco contra a ausência. Retrato que mancha a parede do meu coração. E não sai. É tinta-sangue que tu me deu. Pensamento umbilical que cerca os olhos. Procuro na barriga, na refeição mal-sucedida ou no fracasso do fim do dia. É da barriga que mais sinto falta. E é na falta que tu me faz que mais me dói. Tua voz rouca e prolixa te faz por línguas estrangeiras. Sem cadência, apenas doçura. Sou tua filha. Teus anos, roubo pra mim. Te faço história minha em lembranças de todos os tamanhos.

Guria de tudo, já fui cria. E a ti na régua, tirava-me as noites de sono. Engenhava-me no sonho dos números. Mas tinha segredos. E teus segredos nasceram comigo. Eram das letras que mais me importava. Números perdiam a rima, somavam e dividiam. Não brincavam de ciranda. Era exato demais para mim. E eu, sempre várias, eu sempre em Pessoa, prendi-me nas letras soltas. E tu se rendeu àquilo. Me deu a benção e os livros. Espumas que flutuaram nas tuas leituras e boiaram até mim. E juntos, nos tornamos boêmios: pai e filha num mesmo verso. Paidéia. Sempre noturno, ao hino da densa garoa que faz fumar a lua e ladram de tédio vinte cães vadios.

Nasci de um poema. Não era a mais bela, mas era parto. Meu primeiro amor, pai-espelho. Tuas discórdias não eram por mim; eram pelo o que refletia. Mesmo menina de tudo, tinha a tua pele em mim e teus traços eram meus (numa ordem avessa).

Tive espinhas. E para cada uma, expurguei o que mais era você. Te odiava por tanto amá-lo. Na memória, tenho-me ao pé do sofá. E na memória, era noite também. Com teus sapatos e olhinhos puxados, tu me olhava. De cartas na mão, jogando-as, embaralhando a visão e tcharan! Uma moeda que tu tirava da orelha. Eu era o teu cofrinho, sempre com moedas a tirar de mim. E dizia: papai é mágico. Era com orgulho, mais do que a engenharia, papai era o meu mágico e disso me bastava o dia. Batia palmas numa alegria sem problemas; numa alegria genuína, animal de estimação que te olha o dono num suspiro que alivia.

Era hora de dormir. Tu não me banhava. Era mamãe. Mas tu era carinho. O meu e de mais 8. Um do céu; outros todo terra. Semente que não morre nunca. Sede que não seca.

Tu nasceu com a primavera, mas me herdou o que tenho de melhor: o outono no peito. Sou mulher feita e menina do papai. Caio como quem tomba os sonhos, mas amo o que aqui mora em mim. Amo meu coração que bate aqui. Sabe pele? É sentimento que fica debaixo dela e se mistura. Com sangue. E é de sangue que pulsa o coração; se sai, pára. se pára, não bate e morre. Torna-se você. Carne e osso. Amor é isso. Está em mim no Era uma vez dos anos que não pertencem mais. Sente apenas. E sinto você pra mim.

Tua matemática exata nunca me provou o pra sempre. Meu coração não me escuta nunca; te quer por roubo. Roubar você pra mim e te plantar aqui. Na sombra que me refresca. Na vida que tenho por diante. E são anos que te quero ao lado. Te quero avô. Te quero história: em ditadura singular que só tu conhece, te aguardo de perninhas pra cima e toddy na mão. Te aguardo na esperança de ouvir tudo de novo. Passado a limpo; apenas a tua tinta nele. E teu Getúlio e tuas polícias. Tuas histórias de amor: estado novo; quero-te ânsia do que te faz vida. Sem tiro ao coração; sem palácio do catete. Sem nada do que morra ao suicídio de tua bala.

Quando te lembro, me vejo. Diferente do que tu desenhou, do que esperava pra si. Não sou perfeita. E mamãe custa a me lembrar sempre. Mas tenho pés e mãos. Tenho cabeça e coração de titã. Sou tua criança que fala e anda. Sou tua criança que voou, mas não teme o ninho. A origem estrangeira. A falta de glossário.

Sou teu pesadelo mais lindo; de tatuagem ao que risca na promessa de que nunca se faz verbo. Sou a falta de doce de teus olhos e do tamanho de um botão pra me levar ao bolso. Sou tua menina de carne e osso. Mais carne do que osso. Uma história a continuar linda por entre os anos que nascem, crescem e morrem e sempre nascem na primavera mais linda. Com as flores do meu jardim-vida.

.

.

É aqui que faleço, na busca por minha barriga. Me deito e é de mim que sinto falta.

vidraça de plástico

tenho o bolso repleto de pedras

e é por você que as guardo

.

.

.

.

pedras em pano de vidro

caninos

tu já viu meus dentes? mordem que é uma beleza.
é de teu sangue que me alimento.
sou outono com cara de inverno.
e não, não molho.
trovejo que é uma beleza.

Where Do I Begin?

pelo que chove?
não, definitivamente não. sou alérgica ao que molha.

I'm not janis

janis é singular

e eu não sou janis

janis é pop

e eu não sou billy

[nem janis]

juro.

CNH apreendida

teu dono grita ao mundo

e acelera no que desgoverna:
coração atropelado em tua blitz.

tua chuva afoga.

pq tudo o que chove depois da janela,
molha antes os meus pés?

e é na tua luz que me acendo toda e chamo teu nome.

Quando me beijou, cuspi. Para saber se seu amor é branco, vermelho ou transparente.
Nazarian
Com teus dedos, meus lábios ganham cor. É de giz que dou cena.
[dna inverso]
- E de que cor eu pulso?
- De que cor é meu amor? Não cuspo, engulo.
E penso no pouco de vermelho que tenho nas unhas.
Restam as noites que me engravido
e nasço desse amor.
Sou toda cores,
sem a dor do parto:
sou branca
vermelha
e transparente
dos dentes ao ralo.

[verborragia em dó maior]

.. e o sentido de cada uma delas tilintintando nas entrelinhas
nos desejos omitidos
na carência latente
na fuga delas mesmas.
sem pretérito perfeito.
apenas na vontade de rodopiar os muitos olhos
sedução gratuita na ponta dos pés
da bailarina.

expressão vazada

Preservo o pingo no i que gela e molha o olho que pra cima chora e nada escorre aqui do chão. Verborragia ao limite do que se vê:
"Os olhos têm aquela expressão vazada de maldade inocente, de suprema condescendência, como dos ídolos talhados em ouro e prata à luz das tochas, indiferentes às cerimônias e ao borbulhar das paixões e sacrifícios humanos; a macia pele do rosto de dezenove anos incompletos transparece e crepita, mas não se deixa tocar e, se o faz, o seu tato é de borracha ou vinil, porque os jovens de dezenove anos incompletos são pequenas monstruosidades portadoras do aleijão psíquico, faltando pedaços como um ombro para se chorar, um olhar atento, o gesto brusco no vácuo do antebraço consolador; os lábios congelados na frase de Peter Pan "eu sou a juventude eterna!", a mão perpetuamente brandindo a estocada final…"
[Márcia Denser]

curvas

Teu cigarro é um soco mudo na portinha do estômago. Lá de casa, tiro o capacho do chão e tranco as janelas que dançam tua fumaça pra mim. Por hoje, não quero teu câncer aqui e não provoco insistências.

.

.

memórias suicidas de quem errou o tiro que pariu.
[e sequer partiu de mim]

conta baixinho, conta pra mim, vai!

Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...

Nos tempos de menina-flor...

..eu tinha olhos. muitos.

[cores que anunciam, fatos que se escorrem]

teu cheiro, preso ao corpo, me faz louca por você.

e, por você, baby, faço o mundo em desejo crazy.
te amo você num todo sempre.

Agora sou um lago.

meu coração é bomba atômica, afllita!
explode em mim e de mim não sai nunca.

Eu te amo porque te amo.


teu caio em nossa ana, ah! meus versos em teus braços e brota a morte sem nome, letícia e toda ela. faz do teu rock antigo, querida, um clássico ao meu francês popular; em folhas encardidas do tempo é que lanço o pulmão ao que gripa - laços frouxos e o corpo em vilas frutíferas. breve o vento que toca e destoca. em poesia, faz de pessoa confidente por tão menos... flor que espanca adélia e brota zulmira de asas tortas. é em woolf que me distraio o teu noll de frio aos pés. conjuntura do que se divide e faz amor com plath ali, quieta em bishop (suicídio multifacetado) num oceano do que inspira.
respira e solta.
e volta aflita por nossos anos, uma estante em distração do que se diz nosso é o lar, a hora, a prosa e o domingo que acaba entrelaçado ao quente que pulsa em vermelho-marfim e sonha por mim.
tua vida por mim
milimetricamente por ti.

rebanhos

Teus pés, da sarjeta, invertem a lua de alguns que insistem olhar para as estrelas.
Wilde, Wilde...

leite derramado

Foi em teu céu alado que me descobri nua,
cesariana do teu gozo que glopeia a hemorragia estancada.
E foi nua que teu céu contou estrelas aladas do meu coração que não pulsa,
golpeia
far far away.

do telhado às patas fingidas

às, vezes o que inflama estraga a carne. essa mesma carne que cheira o podre daquele que se diz gente e morde o rabo castrado da vaidade medíocre.
 
Bandida diz: meow.
 
e para Ela, somente Ela, meu sorriso é largo e não mostra os dentes.

[minha faca no peito]

par-to
ao teu lado
e fico ao meio
um terço.

Dona Morte requer tratamento

Morte Morrerás!
J.Donne
ah! hoje teu dia é feriado e matar-me a mim
não me demora o teu orgulho.

Avenida São João

ah! que mundo louco
crazy de tudo
um completo desvario.

Como-te em papel de rima!


Não amor, isto não é Literatura!
Ana C.


Passo os lábios num poema,
anuncio teu incesto.
doce.

Beijo tuas palavras,
tão minhas, em teu roubo
aprovo tuas vírgulas em cheiro

Prosa em luto de teu corpo
teu gozo
em poesia rouca

.

Passo e não fico.
FINCO.

Parto enquanto há tempo.

Adieu, mon coeur.

Pornochanchada

Era de todo erótico. Trancado aos olhos, tocava-me a boca. E era leve o que molhava. Sem gosto, teu corpo em sonho. No meu, pesava a versos soltos. Gemidos tantos que das pernas tremia toda. Tuas curvas perdidas...ah! o que te perde em mim, desejo em forma-bruta.

Cronospólipo

Escolho o dia, em horas e segundos. Minutos exatos em relógio de corda. A felicidade tem hora marcada e não tarda a vontade de quem lhe quer. Aprendi desde sempre. Espera aflita disposta à janela em vasos de cores. São flores! Dentro ou fora. 25 graus e um inverno que chove entre-muros. Acabo-me em vermelho por todo lábio; retoque de quem aos olhos detêm. São rabiscos certeiros, em vaidade adolescente de quem sonha o que castiga à espera do que finda. Refina. Em fina estampa, lindíssima mancha, a felicidade, destemida canção, comprou casa, amou o verão e perdeu da memória os ponteiros latentes.

Dona Felicidade acena distante. E diz que me ama em gesto simples. Coração amanteigado do que golpeia o verso livre de quem não chega nunca.
.
.
apenas golpeia.

“II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente”

Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
[Carlos Drumond de Andrade]

Se em ti minha ternura escurece, traga fora um bocado de aus
ência e, dito isso, toma-te o sol que acorda às cinco.

Música Para

É linda toda assim. Ela é. E passa o céu, em azul dos olhos, todo pra mim. É mergulho mortal em largo sorriso. É ela quem passa e olha pra mim. Sequer se demora, teus passos rasgados, é ela cantiga, doce menina, inteirinha pra mim.

Delirantes

Minha unha em vermelho perdido resvala ao esquecimento. Esmalte vencido em pote de ouro, velho marujo aos golpes roubados. Minha memória, aquário do que se perde entre a isca e a mordida, cega o desejo de fome que por ora devora quieta. E quieta se faz delirante.

Eterno Retorno

Tenho crises. Tantas que me perco em cores. Combino vestidos em pano cru aos laços das saias soltas: me solto. E rodopio louca. Não paro nunca, nada me cansa o que sangra.

Em tantas, sei bem quem ama o que se quebra. O que se parte em dois, ou três. Estilhaços ao piso frio, pés que amam e coração em mim que rodopia. Não paro nunca, nada me cansa. Os pés que sangram.

E em voltas frouxas, anoiteço tonta. E não paro nunca.. artefato de análise pura, divã que ostenta o peso, anel de casamento. Engajo em meus contornos, enfeites que deixo, não abro. Transgressão tardia que violenta os desejos. E não os tenho, passo leve, deixo o ponto, perco a fuga, afasto o que rompe, rodopio louca. Não paro nunca, nada me cansa o que sangra.

E o que sangra é o que torna e não para, torna, e não para, torna e, por fim, distorna. Em mim. Não para nunca.

Tenho em mim o insatisfeito. E é de carne, carne que fere, levanta, carne que ama, desama, carne que sangra e não para nunca.

Esfrego o sangue que mancha a porcelana dos dentes, esfrego aflita como quem cansa ou ama. Como quem, em segredo, conhece o que finda a liberdade do que pendula o ventre. Mergulhos impensados em crises avulsas. Condenativas em teorias que transgridem. E é na dança, que escondo o que vejo em olhos que rodopiam. Queísmo inútil! Sou o que se tem desde o início, sou o vício que te afugenta, a carne que te alimenta, a curva que te enfeita, sou o que se foi, o que se é, o que (quem sabe?!) será de novo. Sou o que transita entre o verbo e a vírgula. E é por isso que te digo, baby:

- Não paro nunca, nada me cansa, nada me sangra.

o outono em seu fim

tenho no jardim de casa
amoras para o inverno
e luvas para o coração.

O Ventre

Canto
como quem cala o que
consente

e flui
entre os dentes.

E é tanto
que em mim se faz
latente

que rente à palavra
pulsa o verbo

preso
entre as pernas.

Sente?

Amour de pele

Te tatua em mim

Te tatua pra mim

em puro vermelho

te tatua pra mim, vai!

Porque de tatu aqui

só tu que te tenho em mim

Me tatua em ti...

..vai?!

Amour

Disposta a te amar mais, pintei as unhas de vermelho fatal e comprei as melhores flores. Era uma tarde de dalloway, em que esperava aflita a vida numa única página de canção num radinho azul de pilha velha. E não podia ser Beetles, precisava ousar mais. Precisava ser em flor, ter espinhos e um cheiro encantador. Precisava ser Piaf e precisava ser em branco e preto. Francês de tudo era o meu peito, o meu amor em versos sabia fazer biquinho e queria ousar mais. Disposta a te amar mais, te dei junto a espinhos, numa caixinha branca, meu coração cheio de dentes. E era flores o que transbordava, eram tuas num gole de cede seco a mim. Te dei sem sangue, puríssimo de si mesmo. Te dei ritmado ao que pulsa e pulsa por ti mesmo. Te dei em repetição um coração assobiado em la vie en rose, só pra te ter aqui, disposta a me amar mais.

Teu vício

O que adoça teu café, gruda nos dentes e irrita a gengiva. Não é doce, sequer amargo. É ácido e corrosivo, transpassa os poros, encontra abrigo na epiderme e sangra os cotovelos. Todo o sangue que te anfetamina a vida é café puro traduzido em dor. Em dor maior, bemol e sustenido a quatro...canção essa que não te faz ouvir o que te leio só de olhar pra ti.

Vestigios

Era domingo. Todo ele. Os velhos tempos de domingo. A mesa posta em casa vazia. E era linda aquela casa cheia de ausências. O chão frio. Sujo de terra, aparava o mato esquecido de um dia. Tudo era assim: tudo era um dia. A vidraça encardida escondia a família. Eram velhos que sabiam resmungar, de todo o coração, era assim família. E por ser família, sabia ser feliz.

[por vezes, busco no retrato de cabeceira, um pouco de gravidez que me faça ninar em cantiga de sereia o Era uma vez]

Tinta fresca

Uma lágrima

por molhada que a faça

desce ao ventre

e molha

Tudo o que transforma

e ora por dias melhores


Tanto cedo

Quanto tarde


Apavoro-me nas horas

em que o tempo esquece

o que a mim devora


Reflexo vazio

em águas distantes de você

lágrima de ninguém.

Diagnóstico preventivo

O ar que prende, contamina.
E é assim, leve, átono de si, um típico sintoma gástrico em obturação do que se nega, irrita!

São dores crônicas ao peito e ânsia por lançar para fora do corpo o que incomoda.

Esvazio-me a ponto de livrar-me do que é doente, a ponto de sem perceber, causar a ti dores maiores..dores do que se morre.

Em segredo, xuxu, confesso: freud explica!
tudo o que me dói, sei bem que ele explica!

e mesmo assim...
..ainda dói.

Fitas Vermelhas em Coração de Metal

O que te faz crer no que inspira?

Respira..

..o ar que penetra, tambem sabe molhar.

Ah! Se tuas unhas fossem mesmo vermelhas....

Tuas unhas acusam o que de mim não é, não morre e por horas não nasce. Tuas unhas vermelhas, postiças de tudo, sempre lindas, embora tuas, sorriem o que te é sangue e colore os lábios. Teu ar impossível, provoca a sede que se perde em taças de vinho finíssimo. Na falta do que confere, sapatos de verniz e uma silhueta que tropeça o crime não anunciado de teu pecado translúcido em sensualidade noir. É um gole de ar que me falta, expressionismo alemão puro.

Teu olhar nega os suspiros e rasga a fumaça que dança em tuas curvas. Teu cinismo paranóico paira leve entre o que é suspeito e o que te prende a angustia do outro lado. O pensamento queima o que me traga. É a tua boca vermelha que me toca, entre os dedos, uma pornografia de delírios. Abaixo dos joelhos, tua saia bandida que me rouba a vista de teu diálogo que incendeia.

São jóias caríssimas, relicários que declinam o rei que nada teme o teu império. É um filme noir em cartaz e nada mais.



Ah! Se tuas unhas fossem mesmo vermelhas....

por vezes, sou sentimento demais num corpo de areia e mel. entender o que de mim arranca? tenho apenas o que tranca.

[tua cria]

aquela conversa que quieta se cala e a mim me apavora, tu bem sabes o que devora e, as vezes, me esquece por entre os dentes.

O Circulo

Era final e era sede

a última gota de teu deserto nuclear

Um coração

beirando o que inflama o peito

e arde a carne

Era

em segredo

mais um começo.

Misticismo aplicado

É místico, percebe? Místico com todo o misticismo minimalista que te pertence a palavra e estraga o pensamento. E mais, é perdido e é pra sempre.

O pecado açucarado que remedia os fracos grita latente a chama que te chama o corpo aqui, perto de mim. É sentido e preso ao pé, é sapatinho de cinderela em ponta de estoque. Baby, te digo: o que se faz ideias, em meu pensamento repousa.

O Quarto 9

O último desejo levado às alturas. O quarto 9 não poderia pertencer, sequer ser pertencido. Era inóspito e dolorido. O último desejo. O quarto 9 era de dor; dor dos fracos que morriam. E por ser fraco, era ainda vida, e precisava morrer. Todos sabiam. Todos se entreolhavam. Contávamos as horas como toda mulher que conta o seu dia fértil. Era íntimo demais, e mesmo assim, eu contava por ele. Ele que pertencia e não mais sonhava. O que era fértil, nunca brotava. O que era vida, murchava e o que cantava, agora rezava. Sinto falta do homem do quarto 9. Uma parte de mim e de todos, uma parte de amor, verdadeiramente amor, como não se ousa comprar em qualquer prateleira de importados. Dali, partiu, soltando-se do corpo, deixando os ossos, parando o coração. Não o amor, mas o quarto 9. Levado às alturas, o último desejo.

B.

même jusqu'à ce que le ciel soit tombé
t'es vraiment celui que j'attendais

Conto-te as fadas

...teu sorriso nao me escapa do que se faz teu,
o meu amor.

[te amo voce]

Magia gratuita

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."
Florbela Espanca

Etmologias vazias

Confesso não ter chorado, lágrima alguma, um mar de sal: seco e encolhido. Não chorei e disso eu me orgulho como ninguém. (mas disso, apenas disso...) O que se perde, de fato morre, morre-se a todo momento e de atrasos a vida se consome. Um corpo a mais, vazio entre tua cama. Um corpo e nada mais. Noite sem sono.

Dou-te os versos

O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível.
Adélia Prado

Recado de passagem

Ao ve-lo, gritei:

- Caio, tua alma ainda corre em plena Hadock. Lembrei-me de dizê-lo!

Dias atrás eu o vi: indignado com o congestionamento que tua express jamanta causou na avenida dos teus vizinhos. Ri à toa e o deixei lá, sem medo nem prosa. Afinal, o que é de Caio é meu também e por isso desabo no que morre. E se é de Caio, baby, é teu, é nosso e de quem tiver com fome.

A vida é crua. Faminta como um bico de corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio,lágrima,olho-d’agua,bebida. A vida é líquida.
Hilda Hilst

AB+

Teu amor é meu e o tenho maiúsculo ao sangue.

Veja lá!

Hoje eu não tô pra coisa alguma: não tô pra roupa suja, bombril e mil e uma coisas. Não tô pra qualquer um nem pra boi dormir em beira de estrada. Nada disso! Hoje eu tô pra bandolim, água morna e salto alto. Nessa ordem, um ritual de meias-verdades novinho em folha! Então, veja lá, baby!

Neuroticamente insuportável.

É assim que definido este verme em mim, que me devora a razão em queda livre. Sinto-me por vezes descalça em cascas de ovos. Sintomas da gripe suína, só pode!

intentio operis

Um roteiro, o da minha vida, por favor. Nasço e partida, corro aos seios daquela que me olha linda, sem nojo: amor à primeira, segunda e terceira vista. Cresço aos poucos, por ora menina, quieta, calada de tudo. Observo e não me canso disso. E mais aos poucos ainda, torno-me mulher, amante, esposa e até mãe, de mim mesma, de uma ideia de mim (apenas). Aborto amores, condenam-me corações, choro até secar o corpo inflamado de tanta dor. Amo desmedidamente. O lado negro e masoquista do que é dor.

Tive dores, tantas que preferi às flores. Descobri em mim poesia amanhecida, café borrado, vidros estilhaçados. Descobri em mim uma verdadeira serial killer do que me alimenta e ausenta em mim, do que é ar, do mais puro, puríssimo: amor. Um roteiro sentido aos ouvidos de um phillip glass. A intensidade
à revelia, a sincrointensidade, roxa e verde, cinza, todas as cores: uma aquarela de sentidos tontos, partidas e vindas, uma new yorker perdida em quinta avenida. Uma veia saltada e nada mais. Um roteiro, o da tua vida, por favor.

Quentinho de cama

- Três meses com você, é como se nada nunca tivesse sido diferente disso. Te amo!

- E três meses com você é só o começo de uma dízima períodica com cara de pra sempre.
Te amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo (...)

Jazz

Não é automatismo. Juro. É jazz do coração. É prosa que dá premio. Um tea for two total, tilintar de verdade que vocé seduz, charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.
[Ana C.]

[i found a reason]

Teu bom dia [me] completa. como ponto e vírgula. pausa de leve enquanto olha e olha... ...e parte querida, até o final do dia.

Eu amo. Te amo.

Provocativo

Um belo disfarce a quem te come os olhos e de segredos te pertence em silêncio. Rasga o verbo no que te serve a roupa antiga. Por deus, valha-me as reticências!

1 canção para 2

Minha canção tem cheiro forte. É de mofo engasgado que espirra e não molha. É por toda canção, uma eterna promessa que rasga o tempo em pele morta. Trago sem que se queira o ar. Afago e volto.

[Cantarolei uma tarde toda numa vontade que desafina e te chama pra perto de mim. Vontade de beijo mordido, meias rasgadas e dois corações orquestrados numa tempestade seca e circular. Amo tua cara de sono que não me arranca a memória. Só molha e de mais ninguém. Devora pra perto de mim.]

Anatomia cardiaca

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.

Caio Fernando Abreu

Tao certo quanto um mar de rosas, chove cravos e de nada vale o desejo desmedido. Por outro lado, minha veia sado insiste no preço alto da carne fresca.

(des)encontros

Alguns encontros.
Era o que me bastava.
E o que me bastava,
nunca era o suficiente.

dislexia entre versos

- Pulso constante, palpitação cadenciada que rodopia doido por entre os pensamentos que te fazem você. Meu coração é.

[uma TPM e nada mais]

Irritação que inflama e arde o que se fez chorar por hoje.


Tenho urgência de ti, meu amor.
Caio F.

num cantinho teu de boca, o da esquerda do coração, disperso em 'te amos' tantos que de conta me perco em números e letras.

o que quero dizer?
oras, que te quero pra sempre entre os dentes!

com classe de alcoviteira, escorregou em curvas pra lá de sinuosas até que um não-querer-querendo, fez-se mostrar teu esplêndido derrière!

gritando aos olhos, confesso com ar devasso:


- quanta classe
, meu deus, quanta classe!


Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
Adélia Prado


Where is...

Um cheiro do que se fez azedo e não provou.

Teu corpo quente, ao meu, enganou-me a temperatura direitinho nesta manhã fria. De verão, parti logo à Era Glacial.

Des. ti. no. -me. a ti.

Nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo. E porque nos inventamos, eu te confiro poder sobre o meu destino e você me confere poder sobre o teu destino. Você me dá seu futuro, eu te ofereço meu passado. Então e assim, somos presente, passado e futuro. Tempo infinito num só, esse é o eterno.
Caio F.

Relicários

Ah! Se pudesse a vida me trazer sorrisos estampados em carteira assinada. Nada disso! Detesto o convencionalismo que se faz por aí.

- Se estou feliz?

- Tenho um novo emprego, e daí?

Reinvento a vida, não me canso disso e por mim me basto em Meirelles.

(mentira!)

Algarismos e blábláblás

Hoje sou sem rumo. Palavras cristãs rasgadas ao Verbo. Uma mediocridade pura do que se colore a boca. Inspiro o diabo a quatro e não morro nunca de você (nem de ninguém).

[conversa pra boi dormir]

Hoje eu tô pra blábláblá.

Relógios

Lembre-se: os gatos no escuro são pardos (já dizia mamãe depois das cinco)

Destilados

Bêbado de você. Pernas do que se provam fartas de desejo. O corpo em curvas e ventania do que chove. Molhado arisco. Desejo traduzido em mãos que ardem o gozo prometido. Canalhices de uma beata. Mãos santas profanando o cântico dos cânticos.

Amém.

Teus dentes são como um rebanho de ovelhas,

recém-saídas do lavadouro;

cada um com seu par, sem perda alguma.

[Quinto Canto, Cântico dos Cânticos]



Indolência

Mascarada. Tudo o que vejo em musgo vermelho que pulsa está em máscaras de carnaval. As tuas, as minhas, as delas. Sonho interrompido pelo filho esquecido ao peito. Uma provocação letárgica do que se esconde, do que se rima, do que se vinga. Um gole a seco do que se molha em lágrimas moribundas por entre as tuas.

Tendências

Uma pontada. Facada certeira ao peito. (o meu, por favor!) masoquismo quase tibetano, uma tortura aos olhos de quem vê, mesmo que no vazio de lentes de contato já míopes de (/por) você. Sou assim: sem dor, querida, nada feito! Um arremesso em falso, tacada clandestina. Uma falta de escrita crônica: doença de uma literatura metida à besta que se odeia ao espelho, mas ajeita o cabelo sempre que se envaidece aos paparicos ariscos de quem a lê. Fatalidade crua que desfila e fia a vida que por hora é boa. Canalhice que dá sono:

- um chopp para a moça que chora, campeão!

- Logo, não se demora antes que as 11 parta o sino e o branco do guardanapo se eternize sem um sequer rabisco.

Falta tinta e só isso importa. Só isso.

Uma Declaração Em Versos Soltos (por aí)

AMO
e sei que amo, e quanto amo
o que te devo
E é tão meu
o que te dou
Meu coração
ao avesso dessas promessas
que tanto ao peito soluçam.

AMO
e com todas as letras
cravo os dentes
E em miúdos
confesso
(o que de certo é)

AMOR que bate
bate
bate e DESflora

EXPLODE.

[AMAR]

SIM, um grito surdo chamou-me a atenção em letras garrafais em plena consolação das tantas tardes e manhãs secas da velha cidade: o amor é importante sim, porra!

indignação a minha que causou aos olhos crus de quem aqui vê, cegueira branca.


[apenas um ensaio do que em mim é verbo transitivo direto]

miúdos

às vezes, não mais que às vezes.

oração a giacomo

LOUCURA: edição decisiva submergida nas vozes enganadoras de outrem que aqui nada quer.



[rabiscos dela] [primeira inspiração]

Aquelas horas permaneceriam fixas como figura traçada
Com exatidão e cores tão uniformemente distribuídas,
Quase retrato da Perfeição.

Mas se perfeição pudesse ser reproduzida, com contornos, pinceladas, sombras ou luzes... Tela púrpura, cinza e azul! E se dessas cores se fizesse paisagem, se eu a guardasse em uma caixinha de prata,
Protegida da amargura que o tempo traz!
E se eu nunca mais a abrisse,
E se eu somente trouxesse nas mãos uma chave,
E a lembrança, e a saudade...
Sim, eu a manteria bem perto, ainda que nenhum dos Homens da Terra a pudessem ver,
Nos meus sonhos ele seria viva, sublime, eterna.

Mas aquelas horas, por serem reais,
Quase perfeitas,
Por não serem retrato e por moverem sem rítmo,
Por não terem forma, cor ou som,
E ainda assim, trazerem tudo isso tão perto!
E trazerem a dor e o perfume...
Aquelas horas não serão guardadas.

E por serem tão indefinidamente belas
E tão intensamente saboreadas,
Aquelas horas flutuarão sorrindo
E de longe talvez dirão adeus.

[Luana Rodrigues]

Os Arcos

Em terras novas, de minha janela, rabisco a porta que te solta de mim e não apavora. Apago os pés e dou-te mãos de bailarina.

Provoco-te por quem tu és em arcos tragados por teu cigarro imundo - poluição gratuita vinda a mim.


Dou-te a benção.

[parta distante em estilhaços de sorrisos que te sangram a boca cancerígena]

[regresso aos anos que são tão meus]


entre 26 primaveras, broto da terra de outono. sou unhas e dentes que fecha o verão num céu de mim mesma.

nasço mais uma vez [a ponto de bater para ficar. pontuo.]

EU SOU VERTICAL

Em sonhos, pelo furo da boca e dos olhos. Não o detenho, Sylvia Plath.

...

a cada noite, teu corpo: um desejo.


[o meu]

faça-me em sonhos

[o teu]

...

radiohead [em minha cabeça]

I'm the next act waiting in the wings
I'm an animal trapped in your hot car
I am all the days that you choose to ignore

You're all I need
You're all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds

I am a moth who just wants to share your light
I'm just an insect trying to get out of the night
I only stick with you because there are no others

You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds

S'all wrong
S'alright
S'all wrong
S'alright
S'alright
S'alright

.

.

[rumo ao palco em que de música trará me de volta ao que completa. Radiohead em 2 horas e 30 minutos]


pernas e mãos

- Abre as pernas! - disse a menina.

E o menino sorriu como quem de pernas nada entendesse.

O círculo...

O círculo é a forma eleita
É ovo, é zero.
É ciclo, é ciência.

Nele se inclui todo o mistério
E toda a sapiência.

É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.

A viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.

A senda mais perigosa.

Em nós se consumando,
Passando a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.

[Ana Hatherly]

[o olho mais azul]

...em lentes de mãos de vidro e chuva.

destilando o sentimento em uma xícara de café: ruídos

apregoado num clichê em que artesão algum um dia tocará, tenho ao peito amor bruto, nó de marinheiro, prontinho para ser lapidado ao teu gosto (afrouxado) para mim, um você de rimas soltas. sim! um poeta perdido em que poesia tola completa alma perdida e se encontra em plena Paulista à toa. encontro-me `cafezando` com xícara quente em mãos e água morna aos pés.

Amor que AMA
esse AMA só teu
em que te amo
soletrado em
A-M-O-R

Linhas de Caio

E se eu mudasse meu destino num passe de mágica? (...) Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre-arbítrio um roteiro fixo, pré-determinado, que não pode ser violado.
[C.F.A.]

Arisca

- Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?

Tu Queres Sono: Despede-te dos Ruídos


- Nao gosto! Já disse e redigo em pausas breves e somente minhas: NA-O G-OS-TO [e ponto!]

Questiono-me, agora, nas umbiguices estúpidas do por que insisto numa literatura própria de mim?

[psiiu!!]
Respondo em silêncio e baixinho:

- ela nasce de mim e para mim apenas. é preciso de vidro, mais do que de óculos. é preciso amor puro, único. e disso, vou a ti em prosa e poesia.

Nada de nada.

Quero a palavra crua, com sangue, servida quase-viva, quase-morta. Neste estado único do que respira e nao morde. Dentes de aço em coração de papel frouxo (ou dentes de papel frouxo em coração de aço? arrisco!).

Ah! Minhas palavras amargas, como contemplam-me na frieza sádica do que ali reflete ao espelho.

Lindos cachos dourados, olhos entreabertos de tanto amarelo pulsar.

Aquarela do que nao sou eu: carne e osso, loira-morena, castanho-verde, nem um nem outro.

Perco de vista o corpo e me contenho entre um e outro.


Sou metade.

EM CARTAZ: a vida

le monde entier n'est qu'une scène, et tous les hommes et les femmes n'en sont que des acteurs: ils ont leurs sorties et leurs entrées

Resta-me o silêncio: a quietude vil do par de olhos que nada vê. Simplesmente sente em brilhante atuação. O último ato retratado a um prólogo de mim mesma.

- Àqueles que nada querem com a grande arte, a porta. Aos que desejam prazer, o gozo preso dentre as pernas.


Grito ao palco da vida:


- Comece o espetáculo!

[e eis que retorna a mim o silêncio do começo da história]

Amando [você]

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner



Dou-te meu coração, todinho teu, em livres ondas ordenadas pelo vento de tantos meus-pulmões. Dou-te poesia: a minha mais pura e tua-poesia.

Casa comigo numa tarde de primavera?

(des)construção fágica


temas por teu coração entre meus dentes.


temas a antropofagia que se agita em mim ao gosto do que se faz você.


Em palhas de aço, o fogo ao peito.


Devoras-me e faca-me por serenata ao chá que reverencia os sinos das tantas badaladas do que se chama fome.


[disforme]

A Valsa


.

.

.

. O destino uma vez que rabisca a vida, a faz irreversível aos olhos do mundo. O mundo, por sua vez, engana os passos roubados do trovador que insiste em valsar, a noite inteira, o amor da bela dama.

o nosso dever falar

(...)Há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar.
Mario Cesariny
[Entre nós e as palavras, há o olhar blue em dedos e tordesilhas]

Anti-menina dos olhos

Retalhos de uma psique


O amor é um retalho genuíno de si mesmo que se esconde em pedacinhos do tempo e nos destina agulha e linha para que o frio não percorra o nosso coração numa noite chuvosa qualquer.

Assim mesmo, sem ponto nem vírgula; simplesmente respiração.

E se o amor é mesmo essa colcha de retalhos, alguns pedacinhos já coleciono para que, no próximo inverno, palavras roucas de frio não sejam necessárias. Um sussurro talvez, ou mesmo uma gripe, mas nada que seja diagnosticado fatal para a próxima primavera.

Assim mesmo, sem ponto nem vírgula; simplesmente respiração.

Olhos que falam

.
.ouvi dizer que 'te amo' não é 'bom dia'.

(me pergunto, por vez, o que direi eu, amanhã cedinho, ao pé de teu ouvido?)


.
.
.

Clube Silêncio

Silencio.
No hay banda.
No hay banda.
No hay orquestra.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
No hay banda.
(...)
No hay banda!
There is no band!
Il n'est pas de orquestra!
This is all...
a tape-recording.
No hay banda!
and yet
we hear a band.
If we want to hear a clarinette...
listen...
Un trombon "à coulisse".
Un trombon "con sordina".
Sient le son du trombon in sourdine.
Hear le son...
and mute it... drop it...
It's all recorded.
No hay banda!
It's all a tape.
Il n'est pas de orquestra.
It is...
an illusion.
Listen...


[David Lynch, Mulholland Drive]

E segue-se assim, numa trajetória única: o sonho e a vida. Um real que nada quer daquele que se faz espectador de sua própria rotina.

Listen...

Notas sobre o desejo

Os lençóis opressivos como beijos de um devasso, Sylvia Plath.


Como-te com os olhos. Com a boca, faço dos versos sussurros ao pé de teu ouvido.
Em segredo, consumo-te em meus desejos e regozijo-me na liquidez do meu tão belo momento.
Em tuas coxas, reencontro o meu norte e afago a minha gula.
Em segredo, apenas em segredo, enlouqueço-me e desespero-te por mais um beijo.

25 primaveras[!]

Todas as primaveras provam-se em novas cores, cheiros e belezas mil. Não poderia deixar de assim ser mais uma delas: aquela que antecede o verão e posterga o melhor do inverno em um lindo outono de sentidos.

Novamente, as aquarelas em cores novas, pincel de pianista!



Adoro-t
e já!

[...]

era como se portishead estivesse dentro de minha cabeça.
..
.

O tempo em 3 tempos

A casa é bela. Os olhos, cegos. A vida, uma novela. O chá está quente. Perdido ao chão. Do lado da cama, apenas um vão. Controle remoto, remove o armário. Castiga a menina e esquece o acaso. A janela se abre. Lá fora, a saudade. O vento lamenta, susurra vontade. E o dia termina. Pobre menina sem nome.

A casa é bela os olhos cegos a vida uma novela o chá esta quente perdido ao chão do lado da cama apenas um vão controle remoto remove o armário castiga a menina e esquece o acaso a janela se abre lá fora a saudade o vento lamenta susurra vontade e o dia termina pobre menina sem nome

acasaebelaosolhoscegosavidaumanovelaochaestaquenteperdidoaochaodolado
da
camaapenasumvaocontroleremotoremoveoarmariocastigaameninaeesquec
eoacasoa
janelaseabrelaforaasaudadeoventolamentasusurravontadeeodiatermi
napobremeninas
emnome

Cores


ponho-me a risco. (faça graça)

uma aquarela novinha em folha e o dia lá fora esperando a orquestra acordar.





Lápis fino


Um retrato. O meu retrato. E dentre tantos, falta-me cor. Sou contornos, folha perdida, rabiscos de um domingo sem memória. (memórias de um olhar esquecido em mim)

Traga-me cor.

Teu Pecado

Traí. Traí e confesso meu pecado: enganei-me e fiz de mim desculpa a você. Dos meus desejos, o corpo entregue, a mim mesma a condenar, pequei. A traição, demônio voraz, desejo contido do que não é de fato a ser. Apenas lei. Lei de ter em mim o erro em que cruel, meu ego traga. Meu pecado de enganar-me em meu próprio medo: a traição puramente de mim, não você. A traição sem corpos, apenas respingos de meus pensamentos conturbados na idéia fixa de uma falsa traição. A perda: réu-confesso, a minha própria traição.

Next time I'll try it another way

[How many summers will it take?
How many summers will I wait?
How many shoulders will I break?]


Releituras

Papel-alma
Tinta-vida

Hoje, (re)leio-me.

Polifonia de Você

Quando o sono cessa a fome de cantar e a escada não sustenta mais nossos passos, é hora de acalmar os olhos e respirar a leveza que nos resta. A poluição de uma vida inteira secou nossos pulmões e inflamou a polifonia do universo.

Resta-nos a palavra para que o sentido encarne a vida como ela é.

Cheshire Cat

[O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?

Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato.

Não me importo muito para onde..., retrucou Alice.

Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.

...contanto que dê em algum lugar, Alice completou.

Oh, você pode ter certeza que vai chegar, disse o Gato, se você caminhar bastante.]


.
.
e eis que continuo livremente caminhando
e caminhando
e camin
e ca
e
.

explain


sensação de paz... gosto disso. descobri que a chuva me mantém misteriosamente calma.. sensação boa essa: aquela de útero em mil amores, conhece? eu, sim.

.aborto passional.

[recordando antigos textos, encontrei-me neste:]

Tiraram-me a luz. Prometeram devolvê-la em estimados 9 meses de espera. Mentiram. Estou nua, com meus desejos fluindo ao corpo que não (re)conheço, olhos trancados. Seguro minhas perninhas e conto os dedos. Descubro 5 em cada mão e já os amo cada qual por sua forma. Não respiro. Inspiro. Memórias sufocadas na maternidade. Ligo-me a você. Conexão que engasga, consome, alimenta.
Os dias, arrastados, pés de bailarina que invadem a sala de jantar. Geléia de amora. O gosto é de você com pedacinhos que distraem o paladar. Enquanto dorme, suas mãos buscam por mim. Um segredo. Deleito-me nas horas de ninar, sua cantiga, palavras macias, embalam-me no quentinho de você. Esqueço. Imagino-a, olhinhos tão lindos, de que cor devo pintá-los? Verde, sim, descubro minha predileta cor. Olhinhos verdes: meu presente a você. A construo e desconstruo a todo segundo. Meu vício é você.

O que fiz para que a mim se abortassem os sonhos? Queria meus olhinhos nos seus, descobrir a cor, queria o toque.



Nascimento que nunca vingou: aborto passional.

Ana & Otto

Ana:
I´ll wait here as long as needed. I am waiting for the biggestcoincidence of my life. I have encountered manykinds of coincidence. Coincidence forms the pathof my life. There had been something knownmixed together with the unknown.I was on my final destination. I had a weird feeling,the first of many. I felt the present of fate. That could be Otto.




Otto:
I'll wait here as long as it takes. I wait on the greatest luck in my life. I have known a lot of differentkinds of luck. Luck runs through my life likea continuous thread. It's good that life passes in circles. But mine consists of one circle, and not even a complete one. The most important is missing. I've written her name so oftenin my mind. Here, at this moment, I can't lock anything up. I'm alone.

Círculo do Destino




(...) assim como aquele sol, de um artico distante, em um circulo que nunca DESaTINA e que meia-noite sempre é dia e da linha do horizonte nunca se esconde, existem coisas que nunca terminam...


...e o AMOR é uma delas.

O Pêndulo


(ELA & EU)


Quando nos é dada a consciência de que erros cravam a dor, de que amores causam feridas, de que amigos vem e vão, um vazio nos preenche e o silêncio da criança de outrora torna-se apenas sombra: a nossa sombra.

Aquela criança agora é mulher. Não brinca mais de fantasia, não tem medo da tempestade e não mais recorda-se das conversas horas a fio diante ao espelho.

Aquela criança agora é mulher. E a vida nos impõe a consciência e nos faz engoli-la goela abaixo como gemada sem açúcar quando estamos gripados. Isso incomoda e arranha o gosto da vida. A dor agora é de verdade e não brinca mais com rimas tolas. Aquele espelho arranhou o piso da velha casa e a memória esqueceu que a chuva também é capaz de apagar riscas de giz escondidas no refúgio daquela criança.

Ainda vejo em meus olhos a criança dos velhos tempos. Sinto falta de não machucar a fantasia de longínquos sonhos... quantas fadas partiram para um mundo cruel por causa da minha consciência? Da minha falsa consciência egoísta de um mundo perfeito.

Trava-me agora uma disputa entre o belo e o real. Os paradoxos são parte inseparável da paixão, da intensidade, da sincronicidade do mundo; mas o real é cinza e incompleto, assim como minha consciência irreversível do destino.

Aquela princesa agora é mulher. Não mais princesa de seu reino, apenas mais uma que caminha sem medo no centro da cidade em busca de emprego e um sorriso perdido de atenção.

Aquela mulher agora sou eu.
..
.
.
[recortes]

Metamorfose


Nos primeiros sinais, se quer percebi: crescera barba e tarde era. Senti a pele, agora não mais lisa, era áspera e sem conforto. Corei. Diante o espelho ao final do corredor, olhei. Olhei-me fundo e sem folego. Não acreditava no que ali refletia como se a mim fosse um retrato às avessas. Era metade eu, outra um não-eu. Uma construção pitoresca de mim mesma, de meu pai, de mim metade-homem, um pouco mulher. Restava-me um olhar menina, demasiadamente assustada, embora menina de tudo. Crescera naquele momento o estranhamento de um eu que não mais mulher era, nem mais homem pudera. A ausência do sexo em seu excesso.

something is broken now

Resumo-me hoje na certeza de uma tarde fria, fria de amores mil, corpos diversos, uma cama lasciva ao som de stronger. Refaço-me no sexo oposto o que de mim não mais contempla (ou deseja). Quero tinta, um par de luvas e pincel n. 5. Quero pintar-me inteira de vermelho e contar as estrelas ao lado de quem não conheço, apenas desejo-bruto. E, contando o que no azul do céu se chama brilho, reflitiria: o que você já vez por um verdadeiro amor? Eu, neste momento, diria: fiz de tudo, tatuagem ao peito, alma vendida, asilo de quem conheço em mim.

O estranho, me olharia, um primeiro olhar, e diria em segredo: valeu a pena, menina-desejo?

- Não, diria eu com uma lágrima de canto de olho e um sorriso de descoberta.

A noite passaria como ventania, entre dois corpos frios. O calor gelado que aquece o momento e esvazia a alma. O quente-frio que me cura e faz-me em segundos mais feliz (e vazia de você).

O dia chegou ao fim.


Discover Lamb!

Porque eu desejo(...)

Rua dos Cataventos

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas

Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!

Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...

E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

[Mário Quintana]

[i was fired]

Errata: enquanto a menina do aroma sentia terra, da chuva, o céu surpreendeu-a com uma indelicada e azul carta de adeus em sua cinza-mesa. Não sabiam, eles, a felicidade que contemplaram àquela menina-eu.

Ela gritou, com a mão no peito: LIBERDADE


(...)e a música gerou o ritmo antes nunca orquestrado. O ano deu largada: anarquia dos sentidos (sensação que entorpece).

Nó afrouxado na gravata que amanhã, lançada ao cesto estará.

[my brave.heart]

Terra Molhada


Era manhã de segunda-feira. Janelas abertas e o vento forte. Antes mesmo de sentir com os olhos, preferi sentir com o cheiro de terra molhada que a mim se desenhou como aroma-casa. Moradia que declarava.... a declaração que anunciava: hora de viver (afinal navegar é preciso e viver também!).

A tempestade fora em busca de novas terras que desejavam um gole d’água, ou uma enxurrada dela. Quem saberia? Espreguicei-me toda. A começar pelos braços postos sobre o meu rosto e as pernas que tentavam alcançar a algibeira. Estava de ponta-cabeça e se quer havia notado. O lençol, entre mim, deu-me nó. Nó que ri. Olhei para o lado e preferi sentir com o amor-retrato de tempo algum: aquele de mim, você, dele, dela.

Sorri de volta a todos eles e caminhei distante em direção ao espelho do cômodo ao lado.


Olhei-me. Era eu, toda remela.

Naquele instante, em que nada vi ali, a não ser um retrato real do que em mim sobrou, recompus-me. Fiz-me sonhos, novos todos. Fiz-me vontade, fiz-me feliz. Desejos de uma menina-mulher que hoje respira aliviada e ora os estilhaços causados às vidraças de toda uma vida inteira.

Hoje, desenho-me novamente e, aliviada, sigo o meu caminho ao norte.

Aprender

Are you feeling lost and lonely ?
You needn't be
Like you've lost all hope and your sanity
Oh you needn't be

If we only have one turn
In this life we have to learn

Carrying the world on your shoulders
You needn't be
Ever more as you get older
You needn't be, oh you needn't be

If we only have one turn
In this life we have to learn

We wish our lives away
Hoping for a better day
The future's miles away
And what is past is done and gone

If we only have one turn
In this life we have to learn

menina-eu


Sinto falta das perninhas finas tagarelando entre a cozinha e a sala da casa antiga.

Sinto falta da cantiga de ninar e das equações de matemática que fiavam a minha maior dor de cabeça. Nada mudou: a equação da vida está diante de meus olhos: subtrai daqui, soma dali e divide tudo ao final. Apenas os móveis mudaram de lugar, a televisão velha deixou de funcionar e, o sofá que antes era preto, ganhou mais um lugar.

Sinto falta da menina de ontem que encarava tão simplesmente o 1 e 1 são 2. Escuto uma voz da cozinha gritando:


- Nanda, tá na hora de dormir. Escova os dentes e já pra cama, menina! Tira esse vestido e bota ele pra lavar!

- Ah, mãe... ...quero brincar só mais um pouquinho. Amanhã já é tarde e serei cinza igual gente grande.

Faith


O DESTINO a mim fez-se por religião própria: fardo cravado em mim para todo um sempre. [fé naquele que se diz homem e de nada o fez valer]

.forever.


Estranha-me o desejo comedido, a ausência escancarada daquilo que me resta: unhas vermelhas e pés ao chão da casa velha. Hoje, não mais que hoje, resumo-me ao conselho míope de uma rainha de paus que nada tem a declarar ao mundo: fidelidade esta que me resta ao desejo ínfimo de alma.


Desperta-me o dia, o bom e velho dia...

Cegueira Branca

Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Querer que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

[A mulher do médico levantou-se e foi à janela. Olhou para baixo, para a rua coberta de lixo, para as pessoas que gritavam e cantavam. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava.] Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira

O Véu Envelhecido

Transparência intacta, o dia de outrora que de tanto amar, partiu breve, solta, louca. Partiu com a certeza de que o amor era para sempre, assim como a promessa feita aos sinos daquela menina-igreja. O pecado?

Faltou a ela fé e, por falta de Deus, restou-lhe o juramento de um amor que subiu o altar, mas de lá nada enxergou.

Papel-alma

Hoje, não amo
e sem amor,
meu corpo perturba.


Silêncio, angústia:

grito de lamúria.

Hoje, recordo
e sem lágrimas,
confronto-me ao novo.


Desejo à flor da pele,

vontade do que é quieto:


PAZ


Amores mil,

ideologias perdidas,


todos passados à limpo


Papel-alma

Tinta-vida

Hoje, respiro.

Sleeping Beauty

Would you please
Let me slide a few words
Under your door

Relatos de Clarice


__ __ __ __ __ __ estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. (...) Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, se sem sequer precisar me procurar. (...) Não contava que fosse esse grande desencontro. (...) Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão. (...) Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão. Oh, pelo menos no começo, só no começo. Logo que puder dispensá-la, irei sozinha. Por enquanto preciso segurar esta tua mão – mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem da ideia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou ma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Não a claridade que nasce de um desejo de beleza e moralismo, como antes mesmo sem saber eu me propunha; mas a claridade natural do que existe, e é essa claridade natural o que me aterroriza. Embora eu saiba que o horror – o horror sou eu diante das coisas. Por enquanto vou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha. (...) É que um mundo todo vivo tem a força de um Inferno. (...) Eu fora obrigada a entrar no deserto para saber com horror que o deserto é vivo. (...) ...ouve, por eu ter mergulhado no abismo é que estou começando a amar o abismo de que sou feita. (...) Ah, despedir-se disso tudo significa tal grande desilusão. Mas é na desilusão que se cumpre a promessa, através da desilusão, através da dor é que se cumpre a promessa, e é por isso que antes se precisa passar pelo inferno: até que se vê que há um modo muito mais profundo de amar, e esse modo prescinde do acréscimo da beleza. (...) Agora preciso da tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor. (...)

Reticências

Não sei quem sou e se quer sei se vale a pena saber!
Sofrer?
Amar?
Por Deus, tragam-me as reticências...

Alma


Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é [FP]

[ ]


i am colorblind

Loucos



Quando louca deliro paz, em paz saúdo a loucura.

Quero os devaneios, a paixão perturbada, a intensidade que só a insanidade traz.

Quero a doença dos malucos, dos poetas, dos amantes.

Razão a deixo em ilusão, em distantes desvarios, em sonhos tórpidos onde já cansei de ser em mim.

Quero a beleza do sentir, quero o sentir em cada poro.

Verdade só a minha, pensamentos só do corpo, em ligações rítmicas, aceleradas, som pulsante e música frenética.

Quero dançar a vida, em molejo de mulata, ginga de capoeira doido.

Dança dos sentidos, sem nenhum sentido.

Por assim dizer, não dizer nada.

Mergulhar em sentimento, mudo.

Viver tudo e em tudo.

Me jogar ao mundo e me entregar ao regozijo dos loucos.

.

[Thais Degiovani]

Sintoma

Arcano 15


[o diabo e suas entrelinhas em desejo de várias bocas, a tua. o diabo como um conselho, ao meu lado, em palavras perdidas, o viés. resumida hoje a um arcano perdido em 7 vidas. bom-dia!]

(um)bigo

estamos conectadas. a todos os instantes, nenhum deles, estamos conectadas ao que nos une, o mundo. encontre-me daqui algumas horas, quem sabe dias, ou então um ano. provável encontrar-me em paris, em tantos outros anos ou atravessando ny com hora marcada em um dentista de esquina. cuide da boca, os dentes, já dizia minha mãe. apenas encontre-me e conecte-se a mim. como sempre um dia fomos.

[abrindo a porta para o que se chama amor ou simples neuroses que coleciono secretamente em meu peito]

misto quente

sim, estou eufórica, adrenalina. um misto de frio e quente, respiração ofegante, caminhos avessos ao meu e seu. um grito, pedido íntimo de colo, atenção.

.
.

[boa-noite]

Cantiga de Ninar












Silêncio. o que me resta do ninar, é cantiga-trovão. hora de dormir, fechar os olhos sem brilho, descansar o corpo que nao aguenta mais os pés firmes ao chão. vontade de voar. asas? não, não as tenho. decido pular. mais um dos meus muitos fim. parto e (des)parto.

Eu vou.

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar

Complete(-me)

Um suspiro repentino e aquela vontade de... ainda espirrar? Talvez. Ou não. Vontade essa ou aquela que perturba e conforta: um mix. Vontade que não pode ser dita, renúncia e desejo.

A você, reinvento tais lacunas como quem nada quer, apenas palavras que a mim complete uma sentença.

Vontade de _ _ _ _ _ _ _ .

[.e-motion.]

Thoughts about LOVE: and its many associated emotions.
.
.
.
[All I've known

All I've done
All I've felt was leading to this
] [Lamb]

.|many possibilities|.

Burn it down till the embers smoke on the ground
And start new when your heart is an empty room
With walls of the deepest blue

Fall fades how it ages when you're away
Spring blooms and you find the love that's true
But you don't know what now to do
Cause the chase is all you know
And she stopped running months ago

And all you see is where else you could be
When you're at home and out on the street
Are so many possibilities to not be alone

The flames and smoke climbed out of every window
And disappeared with everything that you held dear
And you shed not a single tear for the things that you didn't need
Cause you knew you were finally free


[Death Cab For Cutie]

God Bless You


Em seu próprio tema, o próximo.

Vontade de espirrar você.

Tema de Alice

Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a entrada
Do castelo do querer
Qual é a resposta
Me diga, então
Qual é a pergunta?
Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a chave
Do mistério de viver

[Adriana Calcanhoto]

No One

"No one said it would be easy,
Didn't any one tell you?
The road would be straight and long?" - Lamb

Cansaço Repentino

Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Quero corpo sem qualquer querer
Tenho os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão
Não sei pra onde vou
Não sei se vou ou vou ficar
Pensei não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda pra nascer
Descansa coração

E bate em paz...

[Fernanda Takai]

..:: lá está ele, lançado aos meus pés e, por congelado estar também, quebrou-se em mil pedaços diante de mim e tudo fiz para salvá-lo, mas de nada adiantou ::


STOP


:: salvá-lo? quem denunciou a salvação? meu coração não necessita de atenção e mimo algum de quem não o deseja bem. meu coração é de mulher-crescida, não faz manha e usa sapatos vermelhos em plena tarde de quarta-feira. meu coração é meu e de ninguém será até que eu o lance à sorte novamente.

comunicação pe(r)dida


Desvios de uma comunicação por ora desconectada.

Reinicie a maquina.

[offline]

and so it is


we'll both forget the breeze most of the time

and so it is

.

.

did I say that I loathe you?

did I say that I want to leave it all behind?

NEVER (...)

"You'll say you understand, but you don't understand
You'll say you'll never give up seeing eye to eye
But never is a promise, and you can't afford to lie"

.
.
.
.
.

reci(pro)cidade

Elysium [Portishead]

No one has said what the truth should be
And no one decided that i'd feel this way
If you felt as i did
Would you betray yourself
But you can't deny how i feel
And you can't decide for me
No one should fear what they cannot see
And no one's to blame its just hypocrisy
its written in your eyes
And how i despise myself
But you can't deny how i feel
And you can't decide for me
And its your heart
That's so wrong
Mistaken
You'll never know
Your feathered sacred self
But you can't deny how i feel
And you can't decide for me
And you can't deny how i feel
And why should you decide for.
.
.
.ME



Discover Portishead!







Segredos do Sol

FECHEI OS OLHOS e, distante dali, em sua espera eu estava. Comigo, algumas flores. Essas que agora correm loucas de meu jardim. Apenas de substantivo flores, sem cor nem perfume. Flores e folhas anunciadas mortas em seu nascimento.



Do céu, o cinza negro das nuvens daquele dia em que o mundo distraído, do Sol não esperou sua canção. Um segredo em que o próprio universo reinventou apenas da memória de ter sido, em atos, o dia da partida em silêncio da aurora-estrela.



Era outono, de muito frio, as mãos patinavam entre os botões do manto em que em mim contornava em traços. E era tanto aquele frio que não sentia mais as pontinhas de meus dedos. Eram roxas e geladas. O chão de madeira cantarolava com todos que ali passavam, preferindo os saltos aos sapatos velhos. O cheiro das ondas envenenava-me os sentidos e aguçava-me na vontade de naquele mar velejar o infinito. Era dada a sua hora, aquela em que todos os dias você passava por mim. 11:11. Toda vez com o mesmo sorriso, aqueles olhinhos apaixonados e a tarde inteira para conversar.






Naquele dia, não mais que aquele dia, voce não passou por mim. Sequer olhou para trás, quando cedo demais, passou você em meus pensamentos. Aquele dia, o mesmo em que o Sol negou a Terra, voce partiu de mim e sequer olhou para trás.

Pandora's Box

um novo ciclo. um próximo ano. um tão esperado (re)começo. a pausa em que, de lado, ausentarei-me do que conecta. desconexo tempo. um próximo ano.




::ao coração do lado de lá, um desejo íntimo de PAZ, em branco e preto, destilado em uma caixinha de pandora que eu mesma, em mãos pequenas, fiz a você.

.

.


[2008/2009]

Sonhos


New York New York



...um grande suspiro, o conformismo que nunca quis, aquele que quer e não deixa, sem tempos nem rima. Uma vontade sem igual do que passou, do que vivi, uma vida que restou pela metade do que se fez.

Vontade essa de...
.
.
.
.

(...) um dia você.

Beautiful

[ Such pretty hair May I kiss you May I kiss you there So beautiful you are So beautiful Please don't move It feel so good to me Hmm tell me my Beautiful Beautiful So very beautiful So beautiful Beautiful So beautiful ]

Becoming

I scratch
I struggle
I breathe

(...)

Pernas

Viver, sem medo, nem chaves. Apenas pernas e pulmão: a VIDA.

Sim, ele é.


O amor simplesmente é.
Hora de dormir, apagar os dias, viver os sonhos, restaurar a alma, lembrar ou esquecer. Hora de partir? Hora, simplesmente hora. Como dito, hora exata de dormir.

Rage more!

[Já sentiu sede? E então abriu uma caixa de leite, começou a beber… e estava azedo? Eu fiquei assim por dentro... Estou cansada... ...para sempre]

O Amor e o Tempo: dialogo abstrato

Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
Johnny Guitar - Don't go away.
Vienna - I haven't moved.
Johnny Guitar - Tell me something nice.
Vienna - Sure. What do you want to hear?
Johnny Guitar - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
Vienna - All these years I've waited.
Johnny Guitar - Tell me you've died if I hadn't come back.
Vienna - I would have died if you hadn't come back.
Johnny Guitar - Tell me you still love me like I love you.
Vienna - I still love you like you love me.
Johnny Guitar - Thanks. Thanks a lot.

Natal



um natal em que os sinos, em silêncio, deixarão o meu coração em mãos do acaso. distante das badaladas. apenas tristeza, o fim de uma canção. a mais bela das canções. um natal em que os sentidos serão os mesmos. pensamento longe.
.
.
.

Mix

difícil definição que não cabe a mim. não. definitivamente não. responda-me eu: quando o silêncio fara de vc esquecimento? odeio-me na lembrança que por ora refaço-me, outro dia destrói. um mix: amor, ódio, saudade, mágoa. um mix: de mim e de você. uma sensação amarga e doce, quero e não quero. um eu tão eu que se perde na memória em que insisto olhar ao espelho. espelho esse que existe apenas no mundo mágico de um dia fernanda. um mix. tira-me o coração. um pedido, suplício, uma oração de paz. o recomeço. inaceitável (re)começo cravado no peito.

..

A Sorta Fairytale

Uma canção:

On my way up north

up on the Ventura
I pulled back the hood
and I was talking to you
and I knew then it would be
a life long thing
but I didn't know that we
We could break a silver lining

And I'm so sad
like a good book
I can't put this day back
a sorta fairytale
with you
a sorta fairytale
with you

Things you said that day
up on the 101
the girl had come undone
I tried to downplay it
with a bet about us
you said that you'd take it
as long as I could
I could not erase it

And I'm so sad
like a good book
I can't put this day back
a sorta fairytale
with you
a sorta fairytale
with you

And I ride along side
and I rode along side you then
and I rode along side
till you lost me there
in the open road
and I rode along side
till the honey spread itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
I had to steal it

And I'm so sad
like a good book
I can't put this day back
a sorta fairytale
with you
I could pick back up
whenever I feel

Down New Mexico way
something about the open road
I knew that he was
looking for some indian blood and
find a little in you, find a little in me
we may be on this road
but we're just imposters in this country, you know
so we go along and we said we'd fake it
feel better with Oliver Stone
till I almost smacked him
seemed right that night
I don't know what takes hold
out there in the desert cold
these guys think they must
try and just get over on us

And I'm so sad
like a good book
I can't put this day back
a sorta fairytale
with you
a sorta fairytale
with you

And I was ridin' by
ridin' along side
for a while, till you lost me
and I was ridin' by
ridin' along, till you lost me
till you lost me in the rear view
you lost me, I said

Way up North, I took my day
all in all was a pretty nice day
and I put the hood right back where
you could taste heaven perfectly
feel out the summer breeze
didn't know when we'd be back and I
I don't, didn't think
we'd end up like
like this





Discover Tori Amos!

Hino à sabedoria

Mais uma vez, repito, ou melhor, grito: Felizes os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus piores equívocos.

DEUS

[Hilda Hilst]

Deus pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante sorvete de cereja.
Deus: Uma superfície de gelo ancorada no riso.

A ponte

(Brooklyn Bridge)


Eis a ponte entre o mundo e o sonho,

aquela que me leva para o lado de lá

é a mesma que espero por tecer a mim a reciprocidade do que sou e do que quero do lado de cá.


..

.

Estou hoje no lado de lá.

Destino

No fundo, a sabedoria do destino é a nossa própria. Porque a acompanhamos com uma consciência incessante daquilo que, no fundo, nos é permitido fazer. Podemos estar sujeitos a algumas tentações mas nunca nos enganamos. Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma só. Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado - o qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lho à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.

[Cesare Pavese]



Não quero iludir-me uma vida inteira com a falsa presença da sabedoria. O Destino a mim é certo e não canso de dizer isso.

Q.S.P. (quantidade suficiente para)

PARTIR. Chegou a hora de arrumar as malas e sair de fininho. Deixar a casa vazia e os sonhos de outrora bagunçados na roupa suja. Chegou a hora de abrir a porta e não olhar para trás; não temer a conquista da perda e, se quer, voltar atrás.

Foi dada a largada!

Agora é aguardar a chuva e lavar a alma. Não importa se a água seja impura: o que importa é o que para a alma ela significa. Saio de casa, mas deixo minha lembrança: risos e poesias, tempos que não são mais. Foi acreditando num prazo de validade que deixamos o doce amargar.

O fim: tão certo como o começo (in)findo.

...

Na incongruência do que me restou dessa manhã, aprendi que o medo é o limite dos medíocres. Tenho em mim a reverência pelo saber e não abro mão disso. Diante do cinza que penetra minhas horas, sei que posso contar com o sorrisinho homeopático que acalma e afasta qualquer tristeza e faz meu coração bater mais forte.

3 Times

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes..........
.
.
......

E quando este meu tempo será apenas meu e de mais ninguém? E quando este meu tempo calará as horas e viverá os dias? Se nasço amanhã, quando serei eu hoje?

Meu tempo é QUANDO (ou ENQUANTO)

Mil Anos

Mil anos são um instante. Nada novo ou diferente. O mesmo padrão em sua própria repetição: aquelas nuvens e músicas sentidas há uma hora ou há uma eternidade atrás. Não há nada aqui, nada agora. Nada.
Sim, agora me lembro! Isso já me aconteceu.. e por isso parti. Estou encontrando respostas. Ainda que pareça difícil, a recompensa será ótima.
Exercite a mente tanto quanto possível, mas é só exercício. Construa coisas lindas, resolva problemas, explore os segredos do universo. Aprecie os estímulos dos sentidos. Sinta alegria, dor, riso, compaixão e guarde a memória em sua sacola. Lembro-me de onde vim e como me tornei humano pq fiquei aqui. Agora, é hora da partida final. A saída. Fugindo da velocidade. Não só da eternidade, infinito.

Hoje não tem luar(..)



Acordei sem vontade de ver o Sol. Acordei, na verdade, resumida a um 5 de copas.

Before Sunset

(...)

Tentativas Estáticas

Estranho corpo que a mim se estende ao chão. Quieto. Muito quieto, de olhos grandes, a me observar, como se na surdina, porém próximos de meus dias. Um corpo entorpecido por ele mesmo, sem movimentos, apenas pecados. Um corpo que segurei, segurei, segurei e nada.

Soltei-o, por entre os dedos, o peso morto que a mim tentei, tentei, tentei...e nada.

Talvez um dia aquele corpo, ao chão partirá. Enquanto isso, tira-me os dedos, aborta-me a dor e salva o corpo que deixei ao chão. Cansei de tentar, tentar, tentar...e nada.

A perda

Quando os nossos erros causam dor e a pele amada sofre a ferida cometida, o tempo faz-se por milagrosa cura. E é neste tempo, em que a insegurança se sustenta como pilar de nossas promessas, que descubro o meu desafio: não adianta apressar o relógio, se quer mandar flores, não adianta gritar “eu te amo’, não adianta suplicar pelo perdão. Adianta encontrar no impulso de querer da ferida, uma cicatriz, a dor de entender a perda. A perda de um milésimo de amor do nosso amor, a perda de confiança, o medo de errar, o receio do próximo passo.

Encontrei a minha queixa, destilei o meu pecado, dou as boas-vindas à impulsividade e despeço-me desta amordaça que fere a carne amada.

Definição Crônica

O amor não se pode definir; e talvez que esta seja a sua melhor definição. Sendo em nós limitado o modo de explicar, é infinito o modo de sentir; por isso nem tudo o que se sabe sentir, se sabe dizer: o gosto, e a dor, não se podem reduzir a palavras. O amor não só tem ocupado, e há-de ocupar o coração dos homens, mas também os seus discursos; porém por mais que a imaginação se esforce, tudo o que produzir a respeito do amor, são átomos. Os que amam não têm livre o espírito para dizerem o que sentem; e sempre acham que o que sentem é mais do que o que dizem; o mesmo amor entorpece a idéia e lhes serve de embaraço: os que não amam, mal podem discorrer sobre uma impressão, que ignoram; os que amaram são como a cinza fria, donde só se reconhece o efeito da chama, e não a sua natureza; ou também como o cometa, que depois de girar a esfera, sem deixar vestígio algum, desaparece.

Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'

Foolish Games

You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that
I watched from my window
Always felt I was outside looking in on you

You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair
You were fashionably sensitive, but too cool to care
Then you stood in my doorway, with nothing to say
Besides some comment on the weather

Well in case you failed to notice
In case you failed to see
This is my heart bleeding before you
This is me down on my knees

These foolish games are tearing me apart
Your thoughtless words are breaking my heart
You're breaking my heart

You were always brilliant in the morning
Smoking your cigarettes, talking over coffee
Your philosophies on art, Baroque moved you
You loved Mozart and you'd speak of your loved ones
As I clumsily strummed my guitar

You'd teach me of honest things
Things that were daring, things that were clean
Things that knew what an honest dollar did mean
So I hid my soiled hands behind my back
Somewhere along the line I must've gone off track with you
Excuse me, think I've mistaken you for somebody else
Somebody who gave a damn
Somebody more like myself

You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that

[lembranças várias(...)]